Vencer tumores

A Sociedade Americana de Câncer divulga as novas recomendações no estilo de vida que ajudam a suprimir a doença e a impedir que ela volte.

COMERÁS MENOS CARNE VERMELHA E MAIS VEGETAIS
O consumo excessivo de cortes bovinos e embutidos está associado a modificações celulares que levam ao câncer. Não se trata de aboli-los da dieta, mas dar mais espaço aos peixes. Já frutas e verduras são bem-vindas porque possuem fibras e antioxidantes, substâncias antitumores.

PRATICARÁS EXERCÍCIOS
A atividade física tem de ser regular, a menos que haja contraindicações — não se deve suar a camisa no período que segue a quimioterapia, por exemplo. "O exercício combate a perda de massa muscular e a fadiga", conta a oncologista Maria dei Pilar Estevez Diz, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.


NÃO TOMARÁS SUPLEMENTOS SEM CONSULTA MÉDICA
Essa medida vale especialmente para os fitoterápicos que prometem combater o problema. Faltam evidências Sobre seu efeito, não existem doses seguras e ainda há o risco de interação com o tratamento oficial. Quem quiser usar precisa conversar com o médico antes.

PERDERÁS OU MANTERÁS O PESO
Os quilos a mais parecem favorecer o aparecimento de diversos tipos de tumor, assim como sua recidiva. "A obesidade pode elevar a quantidade de hormônios que contribuem para a doença nas mamas e no endométrio", exemplifica Maria dei Pilar. Olho na balança!

Corpo perfeito com dieta

Não há nada de novo em dizer que cigarro e má alimentação estão diretamente relacionados à origem e ao crescimento de células cancerosas. A novidade é que, pela primeira vez, associou-se um estilo de vida repleto de maus hábitos aos tumores especificamente de tireóide. O responsável pelo feito é um grupo de cientistas chineses do Hospital de Mianyang. Eles publicaram no importante periódico americano Endocrine-Related Câncer um trabalho que focou pacientes com a doença e descobriu que eles apresentavam um índice muito alto de radicais livres no organismo (confira mais informações no infográfico à direita).

Para que a história seja contada direito, é preciso entender o papel dos tais radicais livres no corpo humano. "Trata-se de uma molécula instável, que precisa dos lipídios e das proteínas das células para se estabilizar", ensina o nutricionista Fábio Gomes, do Inça. O principal problema é que, quando eles agridem demais a célula, podem alterar seu DNA e provocar uma multiplicação desordenada'. "E é isso que leva ao câncer."

É impossível impedir o corpo de fabricar essas partículas, mas dá para limar o excesso de gordura do corpo delas. "Substâncias antioxidantes impedem que os radicais livres ajam nas células. O problema é que não as produzimos naturalmente, ou seja, precisamos consumir suas fontes", completa Gomes. Além disso, medidas como eliminar o excesso de peso e a exposição desprotegida ao sol diminuem a produção desses agentes perniciosos.


O estudo chinês foi comentado pelo médico Mingzhao Xing, da instituição americana Johns Hopkins, referência mundial no tratamento do câncer. Para o especialista, o trabalho denuncia o excesso de radicais livres como um fator de risco para tumores na tireóide e também alerta os que já desenvolveram a doença a atentar para a saúde cardiovascular. É que o estresse oxidativo — condição em que há menos antioxidantes do que agentes agressores no organismo — alimenta nas artérias a formação das temidas placas de gordura com capacidade de crescer até provocar uma pane no peito.

Câncer de tireóide e emagrecimento

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Na garganta, uma pequena estrutura em formato de borboleta orquestra o funcionamento de quase tudo no organismo. Apesar do status de celebridade, uma série de mistérios ainda cerca essa espécie de maestrina do corpo humano. O câncer de tireoide é o principal deles. Em 2012, ele figurou entre os cinco primeiros colocados no ranking dos tumores mais comuns entre o sexo feminino, segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Inça, no Rio de Janeiro. "Não quer dizer necessariamente que a incidência tenha aumentado. Agora as mulheres estão fazendo mais exames, o que a]uda no diagnóstico", opina o oncologista Gilberto Castro, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

A questão é que continua difícil indicar um grupo que tenha maior predisposição a desenvolver células cancerosas na glândula. Além do histórico familiar e de nódulos aumentados na região, pouco se sabe sobre outros promotores da enfermidade. "Consideramos como um dos fatores decisivos a exposição à radiação, geralmente devido a tratamentos anteriores à base de radioterapia no pescoço", conta o endocrinologista Adriano Namo Cury, do Hospital Samaritano, em São Paulo.

Ainda que até agora sejam poucos os inimigos conhecidos da tireoide, parece uma questão de tempo para a ciência acrescentar novos itens a essa lista. A Universidade da Islândia, por exemplo, publicou um polêmico trabalho que associa baixos níveis do hormônio TSH, espécie de combustível da tireoide, ao risco de nódulos malignos na glândula (confira mais informações no infográfico à direita). Os cientistas escandinavos analisaram o material genético de um grande grupo de cidadãos islandeses e concluíram que os que possuíam certos cromossomos estavam até 30% mais suscetíveis a desenvolver a doença. E esses mesmos cromossomos eram ligados ao déficit do TSH.