Novos estudos abrem caminho para a detecção precoce do quarto tipo de tumor mais frequente nas mulheres brasileiras
Na garganta, uma pequena estrutura em formato de borboleta orquestra o funcionamento de quase tudo no organismo. Apesar do status de celebridade, uma série de mistérios ainda cerca essa espécie de maestrina do corpo humano. O câncer de tireoide é o principal deles. Em 2012, ele figurou entre os cinco primeiros colocados no ranking dos tumores mais comuns entre o sexo feminino, segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Inça, no Rio de Janeiro. "Não quer dizer necessariamente que a incidência tenha aumentado. Agora as mulheres estão fazendo mais exames, o que a]uda no diagnóstico", opina o oncologista Gilberto Castro, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.
A questão é que continua difícil indicar um grupo que tenha maior predisposição a desenvolver células cancerosas na glândula. Além do histórico familiar e de nódulos aumentados na região, pouco se sabe sobre outros promotores da enfermidade. "Consideramos como um dos fatores decisivos a exposição à radiação, geralmente devido a tratamentos anteriores à base de radioterapia no pescoço", conta o endocrinologista Adriano Namo Cury, do Hospital Samaritano, em São Paulo.
Ainda que até agora sejam poucos os inimigos conhecidos da tireoide, parece uma questão de tempo para a ciência acrescentar novos itens a essa lista. A Universidade da Islândia, por exemplo, publicou um polêmico trabalho que associa baixos níveis do hormônio TSH, espécie de combustível da tireoide, ao risco de nódulos malignos na glândula (confira mais informações no infográfico à direita). Os cientistas escandinavos analisaram o material genético de um grande grupo de cidadãos islandeses e concluíram que os que possuíam certos cromossomos estavam até 30% mais suscetíveis a desenvolver a doença. E esses mesmos cromossomos eram ligados ao déficit do TSH.
